A CSS regional reforça o setor do algodão

No âmbito do Programa de Cooperação Brasil-FAO sobre agricultura sustentável, o Egito, a Colômbia e o Peru uniram esforços para melhorar a cadeia de valor do algodão.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, 2026a), o algodão é uma das mercadorias (commodities) mais importantes no mercado mundial e, no caso da América Latina, a sua produção equivale a 12% do total, sendo, portanto, um setor relevante para a economia e para a agricultura familiar.

Além disso, de acordo com o Relatório sobre o Mercado do Algodão na América do Sul, que analisa a dimensão e as principais tendências deste produto, o Brasil liderou o segmento em 2025, com uma participação de 64,8% (Mordor Intelligence, 2026). Nesse sentido, o país tem trabalhado de forma articulada com diversos agentes para fortalecer esta área e, em parceria com a FAO, criou o Programa de Cooperação Brasil-FAO, que inclui o projeto Mais Algodão. O projeto tem como objetivo “contribuir para a melhoria do setor nos países em desenvolvimento, com foco na identificação, execução, monitorização e avaliação de atividades e subprojetos de CSS a implementar com os países membros ou associados do MERCOSUL ou noutros países em desenvolvimento” (Programa de Cooperação Brasil-FAO, 2026).

No âmbito da execução do Programa, o Governo do Peru recebeu, no passado mês de julho, uma delegação de peritos da Colômbia e do Egito para partilhar conhecimentos sobre certificação, rastreabilidade, garantia de qualidade e competitividade do mercado do algodão. Além das entidades nacionais competentes, estiveram presentes neste encontro centros de investigação, cooperativas e empresários.

De acordo com a FAO (2026b), a transferência de conhecimentos e competências centrou-se na forma como a cooperação técnica pode fortalecer a recuperação e a valorização do algodão peruano, bem como apoiar os esforços para o posicionar nos mercados nacionais e internacionais. Foi também fundamental o envolvimento de outros países em desenvolvimento, nomeadamente o Egito, uma vez que este país africano é líder na produção de algodão, na certificação de sementes e na qualidade da fibra.

O evento incluiu não só mesas-redondas técnicas para partilhar as experiências de cada país, como também visitas a laboratórios para observar os processos em primeira mão. Além de visitarem Lima, as delegações deslocaram-se ao centro comercial de Gamarra, onde debateram o setor têxtil, e à região de Piura, onde abordaram a agricultura familiar.

Anteriormente, no final de 2025, já se tinha realizado um primeiro intercâmbio no qual os especialistas do Egito puderam partilhar com o Peru e a Colômbia o seu modelo de produção, que inclui sistemas de certificação de sementes, rastreabilidade e controlo de qualidade.

O Programa tem um caráter integral, uma vez que abrange várias dimensões, desde a produtiva, relacionada com toda a cadeia de valor do algodão, até às ligadas à segurança alimentar, à agricultura familiar e à sustentabilidade do cultivo. Através desta iniciativa, contribui-se para o alinhamento da CSS regional com os ODS 2 (Erradicar a fome) e 17 (Parcerias para a implementação dos objetivos).

Agosto de 2026

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Fonte: Mordor Intelligence (2026), Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, 2026a) (2026b) e Programa de Cooperação Brasil-FAO (2026).

Fotografias: Trisha Downing em Unsplash