Propostas práticas de Cooperação Triangular: cidades

No âmbito do projeto SEGIB-UE sobre CT, foram realizados trabalhos sobre o desenho de um possível Instrumento de Cooperação Triangular Descentralizada (CT-D).

Em parceria com a UE e no âmbito de dois projetos do Programa ADELANTE, a SEGIB realizou estudos setoriais que analisaram o panorama da Cooperação Triangular em várias áreas. Em 2022, no quadro de um primeiro projeto SEGIB-UE, foi publicada a análise Notas para um ecossistema ibero-americano de CSS e Triangular Descentralizada (CSST-D), que descreve os laços entre a CSST e a CD na Ibero-América, bem como as dificuldades e as características comuns a todas as modalidades. Entre estas, destacam-se valores comuns, como a horizontalidade das relações, a ajuda mútua, a troca de experiências e aprendizagens e o menor peso relativo da transferência unidirecional.

Uma das principais recomendações deste primeiro estudo foi a criação de um espaço multiagente e multinível para promover a CT-D, aproveitando os valores partilhados que unem os países ibero-americanos e a própria trajetória da CT regional.  De facto, como demonstram os dados da SEGIB, a CT ibero-americana tem vindo a consolidar-se nos últimos anos, graças ao fortalecimento do respetivo quadro institucional, o que evidencia a importância de dispor de instrumentos técnicos e operacionais que permitam aos diferentes intervenientes dinamizá-la e potenciá-la. Por conseguinte, tendo em conta as conclusões do estudo, um segundo projeto SEGIB-UE pretendeu “passar à ação”,  a partir dos conhecimentos adquiridos, promovendo e concebendo instrumentos temáticos concretos para fomentar e dinamizar esta modalidade de cooperação em temas relevantes para o espaço ibero-americano.

A Proposta de Instrumento de Cooperação Triangular Descentralizada: Bases Técnicas e Operacionais fundamenta-se no estudo anteriormente mencionado, ampliando-o e atualizando-o, com vista a propor um instrumento concebido para as cidades e para a possível articulação entre as redes, os mecanismos e a organização já existentes, de modo a obter um impacto significativo no desenvolvimento local.

Assim, a proposta de Instrumento centra-se em três componentes:

  • Comité Promotor da Cooperação Triangular Descentralizada, para a articulação dos principais intervenientes multiagente e multinível;
  • Fórum Mundial Multiagente sobre Cooperação Triangular Descentralizada, enquanto espaço de intercâmbio que relacione redes e associações de cidades com organismos de financiamento;
  • Fundo de Cooperação Triangular Descentralizada, destinado a promover iniciativas específicas nesta modalidade.

Foram ainda propostas duas ferramentas complementares:

  • Uma Plataforma interativa, denominada “Janela Triangular”, que funcionará como ferramenta de gestão ativa, facilitando a partilha de conhecimentos e a sistematização de projetos;
  • Programas de Cooperação Integral Triangular Descentralizada, que funcionarão como estruturas de entendimento triangular descentralizado.

A proposta não pretende partir do zero, dado que o ecossistema da CSST-D é vasto e complexo. Pelo contrário, o que se pretende é “dar um impulso qualitativo e quantitativo adequado, alinhado com as agendas globais de sustentabilidade e as estratégias de desenvolvimento local de cada território”.

Março de 2026

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Fonte: SEGIB e COOP&CO Rede de Gestão do Conhecimento para o Desenvolvimento Sustentável (2026). Proposta de Instrumento de Cooperação Triangular Descentralizada: Bases técnicas e operacionais.

Fotografias: SEGIB.